sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Nicodemos, Elias e João Batista- Novo Nascimento e Reencarnação




O DIÁLOGO DE JESUS COM NICODEMOS



5. Ora, entre os fariseus, havia um homem chamado Nicodememos, senador dos judeus - que veio à noite ter com Jesus e lhe disse: "Mestre, sabemos que vieste da parte de Deus para nos instruir como um doutor, porquanto ninguém poderia fazer os milagres que fazes, se Deus não estivesse com ele."
Jesus lhe respondeu: "Em verdade, em verdade, digo-te: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo."
Disse-lhe Nicodemos: "Como pode nascer um homem já velho? Pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, para nascer segunda vez?”
Retorquiu-lhe Jesus: "Em verdade, em verdade, digo-te: Se um homem não renasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. - O que é nascido da carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. - Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo. - O Espírito sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem ele, nem para onde vai; o mesmo se dá com todo homem que é nascido do Espírito."
Respondeu-lhe Nicodemos: "Como pode isso fazer-se?" - Jesus lhe observou: "Pois quê! és mestre em Israel e ignoras estas coisas? Digo-te em verdade, em verdade, que não dizemos senão o que sabemos e que não damos testemunho, senão do que temos visto. Entretanto, não aceitas o nosso testemunho. - Mas, se não me credes, quando vos falo das coisas da Terra, como me crereis, quando vos fale das coisas do céu?" (S. JOÃO, cap. III, vv. 1 a 12.)
6. A ideia de que João Batista era Elias e de que os profetas podiam reviver na Terra se nos depara em muitas passagens dos Evangelhos, notadamente nas acima reproduzidas (nº 1, nº 2, nº 3). Se fosse errônea essa crença, Jesus não houvera deixado de a combater, como combateu tantas outras. Longe disso, ele a sanciona com toda a sua autoridade e a põe por princípio e como condição necessária, quando diz: "Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo." E insiste, acrescentando: Não te admires de que eu te haja dito ser preciso nasças de novo.
7. Estas palavras: Se um homem não renasce do água e do Espírito foram interpretadas no sentido da regeneração pela água do batismo. O texto primitivo, porém, rezava simplesmente: não renasce da água e do Espírito, ao passo que nalgumas traduções as palavras - do Espírito - foram substituídas pelas seguintes: do Santo Espírito, o que já não corresponde ao mesmo pensamento. Esse ponto capital ressalta dos primeiros comentários a que os Evangelhos deram lugar, como se comprovará um dia, sem equívoco possível. (1)
(1) A tradução de Osterwald está conforme o texto primitivo. Diz: “Não renasce da água e do Espírito”; a de Sacy diz: do Santo Espírito; a de Lamennais: do Espírito Santo. À nota de Allan Kardec, podemos hoje acrescentar que as modernas traduções já restituíram o texto primitivo, pois que só imprimem “Espírito” e não Espírito Santo. Examinamos a tradução brasileira, a inglesa, a em esperanto, a de Ferreira de Almeida, e todas elas está somente “Espírito”. Além dessas modernas, encontramos a confirmação numa latina de Theodoro de Beza, de 1642, que diz: “...genitus ex aqua et Spiritu...” “...et quod genitum est ex Spiritu, spiritus est.” É fora de dúvida que a palavra “Santo” foi interpolada, como diz Kardec. - A Editora da FEB, 1947.
É importante salientar que na tradução dada ao texto: “Se um homem não renasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.”, simplesmente não condiz com a verdade, pois em nenhuma tradução da Bíblia para o português aparece a palavra RENASCER e sim nascer de novo, cujo significado é oposto um ao outro.
Renascer pressupõe, em poucas palavras, que uma pessoa morra e volte a nascer em um novo corpo físico; enquanto que nascer de novo, no contexto do texto bíblico deve ser entendido como uma mudança comportamental. Dessa forma, não podemos entender como comprovação textual, querer justificar o dogma da reencarnação nas palavras de Jesus a Nicodemos, recorrendo-se a uma alteração não apenas no sentido, mas principalmente no acréscimo do texto (de nascer para re-nascer).
Também não há como aceitar a tentativa de justificá-la, como foi feito pelo tradutor Guillon Ribeiro, no acréscimo à nota de rodapé emitida por Allan Kardec, mencionando que “as modernas traduções já restituíram o texto primitivo, pois que só imprimem “Espírito” e não Espírito Santo. Examinamos a tradução brasileira, a inglesa, a em esperanto, a de Ferreira de Almeida, e todas elas está somente “Espírito”, pois a questão central não está em relação aos termos “da água e do Espírito”ou  “da água e do Espírito Santo”, mas do termo “Re-nascer de novo” que está em franca oposição ao texto original que consta simplesmente “nascer de novo”.
Na visão dos ensinamentos contidos nos Livros da Codificação Espírita a passagem descrita em João 3.1-7 deve ser interpretada literalmente, pois segundo eles, o Senhor Jesus foi explícito ao responder à pergunta feita por Nicodemos acerca da necessidade do novo nascimento. Olhando sob a perspectiva dos ensinos espíritas a resposta de Jesus dizendo a Nicodemos que seria necessário que o homem nascesse de novo para poder ver o reino de Deus seria a confirmação do dogma da reencarnação, pois, que outra forma poderia o homem nascer de novo, se não fosse através de uma nova existência física?
Neste ponto eles ficam com a posição ou dúvida de Nicodemos, visto que estão tentando analisar a passagem ao “pé da letra”, principalmente no versículo 6 “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”. Eis a passagem mencionada:

“Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.” ( João 3.1-7)
Para a Doutrina Espírita esse nascer de novo nada tem a ver com a transformação do homem somente na presente existência, pois, de acordo com seus ensinamentos e pelo fato de ainda sermos considerados devedores perante Deus, não seria possível, nem racional, que o simples fato de aceitarmos a veracidade de que a morte de Jesus na Cruz foi suficiente para resgatar todos os pecados da Humanidade e que a todos que O reconhecessem como Senhor e Suficiente Salvador pessoal, já os colocaria no rol dos salvos, pois essa aceitação acabaria com todos os dogmas patrocinados pela teoria da reencarnação.
A questão da racionalidade da reencarnação não poderia ser diferente, visto que a Doutrina surgiu em um período em que tudo deveria passar pelo crivo da ciência e da razão, pois se assim não fosse, dificilmente uma doutrina conseguiria se estabelecer. A Europa e principalmente a França estavam fervilhando e por essa razão quanto mais racional a Doutrina Espírita e o dogma da reencarnação parecessem aos olhos dos sábios e intelectuais da época melhor. Ao contrário de Jesus que agradeceu ao pai o ter ocultado seus ensinamentos aos sábios e entendidos do seu tempo e o ter declarado aos mais incultos: “Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.” (Mateus 11.25,26)

Nela (reencarnação), o arrependimento deve existir para que a pessoa comece a ser transformada, mas nisso não há interferência de quem quer que seja. Necessário se faz que o pecador ou o faltoso reconheça os seus defeitos e erros e a partir dessa aceitação, inicie um processo de auto burilamento espiritual que poderá ser feito já nesta existência e concluído em outras vidas, pois com a possibilidade que teríamos de escolhê-las, conseguiríamos resgatar faltas cometidas contra outras pessoas.
De acordo com os ensinamentos espíritas, o fato de reconhecermos o sacrifício de Jesus e o aceitarmos como nosso Salvador pessoal nos colocaria não na condição de resgatado e salvo pela graça divina, mas na condição de aprendizes que almejam a perfeição e consequente salvação, mas nunca em uma única existência.
Nicodemos era um homem instruído na lei de Moisés e não vemos Jesus criticá-lo por não viver os ensinamentos da lei, como fizera com tantos fariseus que a Ele se achegavam principalmente para apanhá-lo em alguma contradição, mas mostrando-lhes que apesar de conhecê-la e tentar vivê-la ele, assim como os seus contemporâneos, não estavam conseguindo obter sucesso, porque lhes faltava algo muito mais profundo que as manifestações exteriores a que estavam acostumados. Ele e todos aqueles de sua geração precisavam começar tudo novamente, seria necessário que houvesse um novo nascimento, não físico, mas espiritual, que não partisse de fora, mas de dentro; que partisse de seus corações e a partir daí uma nova experiência haveria de aproximá-los de seu Criador, a experiência de não mais viver a exterioridade da fé, mas se transformar na verdadeira habitação do Espírito Santo de Deus, que não habita em templos feitos por mãos humanas, mas nos corações daqueles que a Ele se entregam e passam a ter seus atos controlados por essa mudança radical em suas vidas.
O homem que não busca o novo nascimento não consegue, por mais que deseje viver plenamente a vontade de Deus para a sua vida e anda de um lado para o outro tentando buscar as respostas para os seus mais íntimos questionamentos, mas ele só as encontrará quando, entregando-se à vontade divina, reiniciar uma nova “existência” ainda nessa vida. Uma mudança na forma de pensar e de agir, um compromisso com a Palavra de Deus e com os irmãos que o cercam. É olhar para a Cruz de Cristo e à semelhança do seu Salvador, tomar a sua própria cruz e segui-Lo, na certeza de que foi perdoado, que o velho homem ficou para trás e que o Senhor lhe deu a possibilidade de mostrar ao mundo a mudança que ocorre na vida daqueles que a Ele se entregam verdadeiramente.

1.3- A VOLTA DO PROFETA ELIAS

Se fosse necessário que retornássemos a esta terra, Ele, o Senhor, teria o dito com todas as letras, pois o dogma da reencarnação não é novo e já era pregado pelos fariseus daquela época, por isso achavam que João, o batista era o Elias “reencarnado” e prometido em Malaquias 4.5: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor”.
Antes de nos envolvermos nos textos que dizem respeito à volta do profeta Elias, vamos procurar entender qual era o pensamento dos fariseus acerca da reencarnação e que ainda hoje é aceito por uma grande parte dos judeus, principalmente para os cabalistas.
Os judeus não tinham problemas em aceitá-la, mas no entendimento de seus sábios ela é muito diferente do preconizado pela Doutrina Espírita.
Os judeus creem que quando um grande homem ou mulher de Deus, alguém em quem o Senhor havia depositado uma grande missão e que tenha partido desse mundo antes de completar a sua tarefa, Deus permitiria que ele no tempo oportuno voltasse para completá-la. Essa possibilidade não existiria para todas as pessoas, mas apenas para esses homens e mulheres em cujas mãos havia a responsabilidade de conduzir o povo para um maior compromisso e comunhão com o seu Criador.
Sendo assim, tentar justificar que a doutrina da reencarnação era aceita tranquilamente e sem restrições pelos fariseus, contemporâneos de Jesus, não condiz com o verdadeiro pensamento da época e não pode servir de respaldo para se afirmar que as palavras proferidas por Jesus a Nicodemos acerca do novo nascimento e sobre o retorno de Elias como João, o batista fossem uma maneira de confirmá-la.
A passagem que daria suporte a teoria de que João, o batista era Elias reencarnado está descrita em Mateus 11.11-15 e diz o seguinte:

“Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele. Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele. Porque todos os Profetas e a Lei profetizaram até João. E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” (Mt 11.11-15)
Para que alguém possa reencarnar (voltar à vida física através de um novo corpo) necessário se faz que tenha morrido e seu espírito se desligue do corpo material. Dessa forma, para que Elias pudesse voltar no corpo de João, o batista, era preciso que tivesse morrido e segundo apregoa os ensinamentos da Doutrina Espírita, o seu cordão de prata (liame espiritual que liga o corpo físico ao perispírito) e o espírito houvesse se rompido, o que não ocorreu no caso de Elias, pois segundo a passagem de II Reis 2.1,9-12 ele não teria morrido e sim levado por Deus, como ocorreu com Enoque muito tempo antes:

Quando estava o SENHOR para tomar Elias ao céu por um redemoinho, Elias partiu de Gilgal em companhia de Eliseu. Havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que eu te faça, antes que seja tomado de ti. Disse Eliseu: Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito. Tornou-lhe Elias: Dura coisa pediste. Todavia, se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, se não me vires, não se fará. Indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho. O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, tomando as suas vestes, rasgou-as em duas partes.” (2Rs 2.1,9-12)
Além disso é corrente no meio espírita que apesar do espírito tomar a forma que desejar, ele sempre utiliza a sua última aparência, ou seja, no caso de materializar-se para que outras pessoas o vejam, ele acaba tomando a forma física de sua última existência ou encarnação. Como pudemos verificar nas respostas abaixo, constantes no “O Livro dos Espíritos”:


“A alma após a morte
149. Que sucede à alma no instante da morte?
“Volta a ser Espírito, isto é, volve ao mundo dos Espíritos, donde se apartara momentaneamente.”
150. A alma, após a morte, conserva a sua individualidade?
“Sim; jamais a perde. Que seria ela, se não a conservasse?”
a) - Como comprova a alma a sua individualidade, uma vez que não tem mais corpo
material?
“Continua a ter um fluido que lhe é próprio, haurido na atmosfera do seu planeta, e que guarda a aparência de sua última encarnação: seu perispírito.” (O Livro dos Espíritos-76a. edição- 1944-FEB- perguntas 149 e 150)”

Assim sendo, quando Jesus estava no monte da transfiguração, mencionado em Lc 9.28-36), Elias deveria ter se apresentado como João, o batista e não como Elias, pois esta teria sido a sua última existência e todos o reconheceriam.
Cerca de oito dias depois de proferidas estas palavras, tomando consigo a Pedro, João e Tiago, subiu ao monte com o propósito de orar. E aconteceu que, enquanto ele orava, a aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura. Eis que dois varões falavam com ele: Moisés e Elias, os quais apareceram em glória e falavam da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém. Pedro e seus companheiros achavam-se premidos de sono; mas, conservando-se acordados, viram a sua glória e os dois varões que com ele estavam. Ao se retirarem estes de Jesus, disse-lhe Pedro: Mestre, bom é estarmos aqui; então, façamos três tendas: uma será tua, outra, de Moisés, e outra, de Elias, não sabendo, porém, o que dizia. Enquanto assim falava, veio uma nuvem e os envolveu; e encheram-se de medo ao entrarem na nuvem. E dela veio uma voz, dizendo: Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi. Depois daquela voz, achou-se Jesus sozinho. Eles calaram-se e, naqueles dias, a ninguém contaram coisa alguma do que tinham visto.” (Lc 9.28-36)
O caso do arrebatamento ou translado de Elias não é o único que figura nas Escrituras Sagradas, tem ainda o de Enoque que antes da grande tribulação da época (o dilúvio) foi tomado por Deus sem experimentar a morte (Gênesis 5.24), e a confirmação dessa ocorrência podemos encontrar em Hebreus 11.5, pois quando a pessoa morria (morte física) isso era mencionado claramente na Palavra de Deus, o que não ocorreu nestes dois casos:
“Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si.” (Gênesis 5.24)
“Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus.” (Hebreus 11.5.

Mais claro que “foi transladado para não ver a morte” é impossível!




“184. Tem o Espírito a faculdade de escolher o mundo onde passe a habitar?
“Nem sempre. Pode pedir que lhe seja permitido ir para este ou aquele e pode obtê-lo, se o merecer, porquanto a acessibilidade dos mundos, para os Espíritos, depende do grau da elevação destes.”
a) - Se o Espírito nada pedir, que é o que determina o mundo em que ele reencarnará?
“O grau da sua elevação.”
192. Pode alguém, por um proceder impecável na vida atual, transpor todos os graus da escala do aperfeiçoamento e tornar-se Espírito puro, sem passar por outros graus intermédios?
“Não, pois o que o homem julga perfeito longe está da perfeição. Há qualidades que lhe são desconhecidas e incompreensíveis. Poderá ser tão perfeito quanto o comporte
a sua natureza terrena, mas isso não é a perfeição absoluta. Dá-se com o Espírito o que se verifica com a criança que, por mais precoce que seja, tem de passar pela juventude, antes de chegar à idade da madureza; e também com o enfermo que, para recobrar a saúde, tem que passar pela convalescença. Demais, ao Espírito cumpre progredir em ciência e em moral. Se somente se adiantou num sentido, importa se adiante no outro, para atingir o extremo superior da escala. Contudo, quanto mais o homem se adiantar na sua vida atual, tanto menos longas e penosas lhe serão as provas que se seguirem.”(O Livro dos Espíritos-76a. edição- 1944-FEB- perguntas 184 e 192)”

Se for certo que espíritos inferiores não podem ascender a mundos superiores antes de conquistarem por seus próprios méritos esse direito, como vimos nos textos acima, como podemos admitir que o malfeitor da Cruz, que até aquele momento fizera o mal e por esse motivo estava sendo crucificado, e nas suas próprias palavras podemos observar que o seu castigo era merecido, contrariamente ao de Jesus, que segundo ele mesmo, o malfeitor, não havia cometido mal algum poderia ser levado com Jesus ao local onde Ele estivesse, declarando que esse lugar era o próprio Paraíso, local da morada de espíritos superiores como é o caso de Jesus?
 “E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda. Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo: Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz! De igual modo, os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele. Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus. E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele.” (Mateus 27.38-44)
Esse homem que até aquele momento tivera atitudes que prejudicavam seus semelhantes e que, há principio, fazia coro com os maldizentes, como vemos na passagem de Mateus 27.38-44 e estava prestes a perecer juntamente com aquele homem santo é “beneficiado” por Ele e acaba conquistando o direito de seguir com o seu benfeitor, naquele mesmo dia ao Paraíso.
 “Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” (Lucas 23.39-43)
Muitas são as referências que desmentem a necessidade das existências sucessivas ou reencarnações. Se fosse necessário morrermos várias vezes, o Senhor nos teria dito.
Jesus morreu uma única vez por nós, para que a morte fosse vencida de uma vez por todas.
Transcrevemos a seguir várias passagens (não todas existentes na Palavra de Deus) que confirmam que morremos uma só vez, mas talvez a mais clara seja aquela em que o Senhor está entre os dois malfeitores e que arrependendo-se um deles, ouve de Jesus a confirmação de que estariam juntos no paraíso, e não depois de várias reencarnações, mas naquele mesmo dia.
“E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação.” (Hebreus 27,28)
“E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6.39,40)
“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.” (I Tessalonicenses 4.13-18).
Em todas as passagens descritas, não houve como se pressupor a reencarnação e sim a ressurreição dos mortos para o dia do juízo, e isto se dará quando o SENHOR Jesus retornar pela segunda vez a fim de arrebatar a Sua Igreja.
Quanto mais nos distanciamos da Palavra de Deus e de Seus desígnios, mais nos afastamos dEle e de Seu plano de Salvação para os homens.
Continue conosco e vamos juntos entender como Deus através do Seu infinito amor nos concede a oportunidade de nos unirmos a Ele em uma única existência.
Nosso próximo tema será: INJUSTIÇAS QUE, SEGUNDO OS ENSINAMENTOS ESPÍRITAS SERIAM RESOLVIDAS PELA REENCARNAÇÃO.
Que o Senhor nos dê sempre um espírito obediente para buscarmos nEle o consolo e o conhecimento de que necessitamos para vivermos em unidade com Ele  e com nossos irmãos.
Sempre juntos em Jesus.
Antonio Carlos


Um comentário:

  1. Graça e paz!
    “Andando” por aí cheguei até o seu Blog e quero te parabenizar pela bênção que pude ver aqui.
    Já estou te seguindo e será uma honra te receber no pastoragente.blogspot.com.
    Se quiser segui-lo vai ser uma alegria pra mim.
    No blog conto da forma mais realista e divertida possível as realidades, dúvidas e experiências de uma simples pastora como eu.
    Fique na paz. Um abraço.

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